Hoje eu estava pesquisando um assunto novo na Internet e caí num blog que, apesar de não ter o que eu buscava, me chamou a atenção. Isso porque a autora, Maria Teresa da Luz (Matê da Luz), questionava em um artigo o que ela chama de “neo-terapias”, incluindo o Coaching como parte daquilo. Não é raro verificar mal entendidos envolvendo Coaching, terapia e outras coisas, por isso resolvi escrever a resposta que reproduzo abaixo.
Cara Matê,
Compreendo e compartilho sua preocupação com tantas pessoas se considerando aptas a “curar” outras pessoas com técnicas tão diversas. Eu mesmo cheguei ao seu blog buscando informações confiáveis sobre “barras de access”. Não encontrei respostas, mas me deparei com uma informação equivocada que quero ajudar a esclarecer: Coaching NÃO é terapia nem se propõe a “curar” ninguém. É essencial saber que Coaching NÃO CONCORRE com psicoterapia/psicanálise por um motivo simples: não atuam nos mesmos objetivos.
Essa é uma confusão comum que cresce na proporção direta da falta de informação, então cabem alguns esclarecimentos:
1. Coaching NÃO é terapia: enquanto a Psicoterapia/Psicanálise busca no PASSADO do cliente a cura para traumas emocionais e problemas correlatos, o Coaching ajuda o cliente a identificar o que deve e pode ser feito no PRESENTE para que ele consiga alcançar seu propósito no FUTURO;
Coaching NÃO é terapia nem consultoria nem treinamento
2. Coaching NÃO é treinamento: treinamentos têm foco nos aspectos técnicos das competências (Conhecimento e Habilidades), enquanto o Coaching focam nos aspectos comportamentais das competências (Atitude). Para saber mais sobre o “C.H.A.” das competências, vide Parry, 1996, ou veja aqui;
3. Coaching NÃO é Consultoria nem aconselhamento: nesse caso o consultor ou conselheiro diz o que o cliente deve fazer, enquanto no Coaching o Cliente é ajudado pelo Coach a encontrar o melhor a ser feito;
4. Coaching NÃO é Mentoria: o Mentor sugere o que o cliente deve fazer a partir de suas próprias experiências bem sucedidas;
Coach vem do húngaro “Kocs”
5. “COACH” NÃO tem origem no inglês: antes de ser usado para descrever treinadores esportivos em inglês, o termo “Coach” surgiu na Europa do século XV para nomear um modelo de carruagens fabricadas numa vila húngara chamada Kocs (leia-se “cotchis“). Vem daí o conceito do transporte “confortável” que se disseminou em inglês (carruagem) e também em espanhol e francês (coche), italiano (cocchio), alemão (Kutsche) e mesmo em português (coche e cocheiro). O termo então foi emprestado para simbolizar o meio pelo qual alguém sai de um ponto para chega a outro no futuro e já no século XIX era comum para designar tutores;
6. No Coaching puro NÃO se diz o que deve ser feito: O que o Coach faz é, resumindo de forma bastante simplista, ajudar o Cliente a identificar o melhor a fazer, com grande inspiração em Sócrates (um dos primeiros Coaches da história) e na Psicologia Humanista de Carl Rogers (não diretiva). Existe uma corrente paralela que podemos chamar de “Coaching Técnico” onde são dadas orientações técnicas específicas em determinados assuntos, como “Financeiro”, “Relacionamento”, “Nutricional”, “Fitness”, entre outros. Nesses casos, o método é mais parecido com “Treinamento usando técnicas de Coaching” onde o “Coach” é um treinador especialista naquele assunto e diz o que fazer, o que faz toda a diferença. De uma forma ou de outra, porém, é consenso que o Coaching tem relação com “aprendizado”;
Coaching tem relação com aprendizado
7. Coaching de Vida NÃO é igual a Coaching Executivo e de Negócios: enquanto o foco do primeiro são objetivos a serem alcançados que trarão resultados para a vida pessoal do Cliente, o foco do segundo são objetivos que trarão Resultados para o Negócio do Cliente ou para a empresa onde ele ou ela atua. Por esse motivo as abordagens são diferentes e o Coach precisa se especializar no assunto antes de atuar;
8. Finalmente: Coach é o profissional e Coaching é o processo.
É ingenuidade acreditar que todos os profissionais de todas as áreas atuam de forma ética e consciente, pois existe todo tipo de gente por aí que tem muito a evoluir. Da minha parte espero ter contribuído para ampliar o conhecimento de todos e mostrar porque eu, como Coach Executivo e de Negócios, tenho parceiros Psicanalistas, Psicólogos, Terapeutas, Treinadores, Consultores, Conselheiros, Mentores e Coaches. E sem conflitos de interesse.
Um abraço.
Claytom Valle
Master Coach Executivo e de Negócios
www.MitikasCoaching.com.br

Bem, tentativa de esclarecimento realizada, de volta à minha pesquisa!
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